Musicoterapia

26-08-2010 20:03

 

Musicoterapia: o som da cura              

 

“Musicoterapia é a utilização da música em um ambiente específico para inspirar, liberar e nutrir o processo de descoberta de cada indivíduo. No envolvimento com a música, os indivíduos deixam sua imaginação ir adiante, fazem escolhas e realizam sonhos” (Bruscia, 1998, p.278).

                                              

      Já há alguns anos atrás quando ainda estava na faculdade me deparei com uma matéria, que na época era electiva, ou seja não fazia parte das matérias obrigatórias para a formação, mas que de cara me chamou muito a atenção: a musicoterapia.

     Desde daquela época já tinha um enorme interesse pelo campo das artes e um verdadeiro fascínio por unir terapia e arte. De imediato me inscrevi na disciplina e pude constatar o quanto à música pode ser um excelente veículo para a abertura de canais de comunicação, utilizando o som, o ritmo e o movimento. 

     Após 17 anos de formada ainda me lembro de uma das dinâmicas realizadas na aula de musicoterapia: o retrato sonoro. Cada aluno deveria escrever uma espécie de biografia sonora relatando as diversas fases de sua vida e as músicas que marcaram tais fases.

    Foi um excelente exercício de auto-conhecimento, que se mostrou muito revelador para alguns. Hoje vejo a importância da utilização não só da música como de qualquer outro meio de expressão artística dentro da terapia.

   Para ser musicoterapeuta é necessário cursar uma faculdade de musicoterapia, porém psicólogos especializados em arteterapia podem utilizar a música como um meio auxiliar no tratamento.

Então vamos conhecer um pouco mais das propriedades da música como terapia.

 

Um pouco de história

 

    Os antigos já percebiam a importância da música nos rituais de cura há milénios, em todos os rituais de cura dos chineses, indianos, e dos índios podemos perceber a presença dos cânticos e sons de instrumentos musicais, pois já se acreditava na influência do som no tratamento dos doentes.

   Apesar de já estar presente nos rituais antigos de cura, a musicoterapia só surgiu enquanto ciência durante a segunda guerra mundial, quando a música passou a ser utilizada terapeuticamente na reabilitação de soldados feridos.

   Na mitologia há um Deus ligado à história da música : Museo, filho de Eumolpo, que era tão grande musicista que quando tocava chegava a curar doenças, todo o povo tem um Deus ou representação mitológica ligada à música o que prova que ela é algo intrínseco ao ser humano desde os tempos mais remotos.

   Platão na Grécia antiga já afirmava eu a “música é o remédio para a alma”. Platão dizia que a música era a expressão da ordem e da simetria, que através do corpo penetrava na alma e em todo o ser, revelando a harmonia da personalidade total.

  Definição

 

     Segundo a musicoterapeuta Maristela Smith, a musicoterapia é uma ciência da saúde que utiliza elementos sonoro-musicais como meios intermediários de comunicação com o paciente, seja ele portador de alguma deficiência ou doença, ou não, isto é, atua nas áreas do tratamento, reabilitação, recuperação ou profilaxia.

    A musicoterapia utiliza tanto o som, o silêncio, o ritmo, o timbre,  a melodia e outros elementos da música, quanto à própria música para alcançar os propósitos terapêuticos.

    Podemos dizer que a musicoterapia é uma psicoterapia onde a linguagem é musical e não-verbal.

    A influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros benefícios. Existem comprovações cientificas de que a musicoterapia alivia sintomas de várias dores, devido ao fato da música atingir o sistema límbico região do cérebro responsável pelas emoções, motivações e afectividade.  Não é de se surpreender que a música mexa tanto com as emoções, quem já não se flagrou chorando, sorrindo ou lembrando do passado ouvindo alguma canção? Quantos não são os momentos de nossas vidas que já foram embalados musicalmente? Cada ser humano possuí um ritmo interior , uma identidade musical que os diferencia dos outros.

   Outra questão importante a cerca dos efeitos positivos da musicoterapia, está no fato de que quando tocamos um instrumento estamos despertamos os dois hemisférios cerebrais; o direito e o esquerdo, logo temos a possibilidade de trabalhar emoção e razão.

Como é o processo terapêutico

   Existem vários métodos, o receptivo que é o método em que o terapeuta toca as músicas para o paciente, e o método activo, que é usado na maior parte dos casos onde o paciente toma parte activamente do processo, tocando instrumentos, cantando, dançando, realizando actividades junto com o terapeuta. O paciente pode criar, improvisar, imaginar, interpretar e até mesmo compor junto com o terapeuta.

   O início da terapia ocorre como em todos os outros tipos , isto é o terapeuta faz um retrato sonoro, uma biografia sonora do paciente, através de uma anamnese (entrevista) e assim traça os objectivos e métodos da terapia. A música é utilizada para trabalhar as necessidades individuais de cada paciente.

   O paciente não precisa de qualquer formação musical para fazer o tratamento, porque o que importa é a expressão e não o resultado estético, a musicoterapia visa, assim como a arteterapia, o processo e não o resultado final. Basta participar, não é necessário conhecimento musical por parte do paciente.

Todas as pessoas são musicais por natureza e essência, e essa capacidade não está simplesmente voltada para o desenvolvimento artístico-musical, mas como forma de percepção do mundo à sua volta. Ou seja, encontra-se no “domínio de nossas interacções e relações”, “no domínio de nossa conduta humana” (Maturana, 2002, p.109).

 Pesquisas:

        Estudos realizados no Laboratório de Neuropsicologia da Música e da Cognição na Universidade de Montreal (Canadá), revelaram que a música produz reacções fisiológicas cuja intensidade dependem do conteúdo emocional.

       Pesquisas comprovam que a música exerce grande influência sobre o comportamento e ativa áreas cerebrais que participam do processamento das emoções.

        Um grupo de 40 homens e mulheres com idades compreendidas entre os 51 e os 87 anos, foram submetidos a uma cirurgia de catarata ou glaucoma num hospital de Nova Iorque. Metade dos pacientes recebeu um walkman para utilizar durante a cirurgia, podendo escolher a música que queriam ouvir, enquanto a outra metade não ouviu música durante a cirurgia. A pressão arterial foi medida antes da cirurgia (ambos os grupos apresentavam níveis de ansiedade elevados), e depois do início do procedimento, sendo que aqueles que ouviram música voltaram ao nível normal de pressão cinco minutos depois. Os que não escutaram música mantiveram níveis de pressão elevados durante toda a cirurgia.

Alguns benefícios da musicoterapia

      Aumenta os níveis de concentração e atenção

      Melhora o humor

      Reduz o stress e ansiedade

      Ajuda no tratamento da insónia

      Abre os canais de comunicação

      Pode ajudar no combate a dor

      Estimula a criatividade e inteligência.

  

Musicoterapia na terceira idade

    A musicoterapia tem sido muito utilizada com idosos principalmente em casos que visam o resgate da memória. A musicoterapia para a terceira idade pode trazer benefícios também para a percepção, atenção, concentração e linguagem.

    Tem como objectivo à melhoria da qualidade de vida, estimulando as acções físicas, sensório-perceptivas, psicológicas e sociais do indivíduo.

Musicoterapia para o portador de Alzeimer

   A musicoterapia tem se mostrado muito eficaz como auxiliar no tratamento de portadores de alzeimer, pois ameniza os quadros de isolamento e desorientação que são parte do processo evolutivo desta doença.

    A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência em idosos. Compromete fundamentalmente as áreas do cérebro responsáveis pela memória, pensamento e linguagem.

   A musicoterapia constituí oportunidade para que o idoso possa se comunicar com os outros através de canções, dos movimentos e da percussão em conjunto.

   Os pacientes são convidados a interagir usando a linguagem musical como meio de reorganizar sua estrutura de pensamento, visando também a diminuição dos níveis de delírio e confusão mental.

 

Musicoterapia para o portador de paralisia cerebral

    A musicoterapia também tem se mostrado muito eficaz no tratamento de portadores de paralisia cerebral. A paralisia cerebral é uma patologia ou grupo de distúrbios caracterizado por reduzida habilidade para se fazer uso voluntário dos músculos, podendo ocorrer ou não variável atraso cognitivo.

    O uso da música tem demonstrado melhoras na atenção, motivação, relaxamento e vocalização do portador de paralisia, na presença de recursos musicais.

 

“a música é um meio valioso que permite à criança com paralisia cerebral exteriorizar-se de modo criativo, ainda que sua deficiência possa ser tal que a impeça de tomar parte activa na produção musical”

(POMEROY 1964).

 

Musicoterapia no tratamento de crianças cardíacas

 

    Pesquisas foram realizadas em relação aos benefícios que a música pode trazer no alívio da dor. Estes estudos demonstram uma diminuição da percepção da dor após a instituição da musicoterapia. Revelam uma acção benéfica da música em crianças no pós-operatório de cirurgia cardíaca, através de alguns sinais vitais (frequências cardíaca e respiratória) e na redução da dor (escala facial de dor).

    Também pode ser observada a diminuição da ansiedade concernente à hospitalização e principalmente aos pacientes que se encontram no CTI.

Podemos observar os bons resultados com a introdução de técnicas musicais em UTI pediátricas, neonatais, de adultos e unidades coronarianas.

 

   É preciso deixar bem claro que não é a música por si só que possuí um efeito curativo e sim ,  as técnicas musicais empregadas por um musicoterapeuta com um objectivo específico.

 

Musicoterapia durante a gravidez e no parto

 

   Já foi comprovado que o bebe reage aos sons ainda no útero e sendo assim a música pode trazer inúmeros benefícios desde a fase de gestação.   

   Além de fortalecer a relação entre mãe e filho, pode ajudar no desenvolvimento das ondas cerebrais e do sistema nervoso do bebe, podendo enriquecer o seu desenvolvimento físico, emocional e intelectual.

   Durante o parto já foi observado que a introdução da música pode ajudar no controle da dor, diminuindo até mesmo o uso de anestésicos.

 

A canção em musicoterapia: “quem canta seus males espanta”

 

    A canção não é utilizada só como um material de análise, mas também como mais uma forma de expressão. Por meio da música e da letra de canções o paciente consegue exteriorizar o que sente, expressar desejos, medos, inseguranças e dúvidas. (Ferraz, 2007)

 

 

“Os afectos existem, no tempo, como a música, e o tempo passa não há como pega-lo, estanca-lo. As canções seriam uma forma privilegiada de fazer isso. Elas guardam blocos de tempo, de memória. E com o seu formato circular de eterno retorno, voltam sempre, resgatando a carga afectiva, com que as associávamos, sem perceber e daí vem o seu poder, na época em que as ouvíamos ou cantávamos.” (Millecco Filho, Brandão e Millecco 2001)

 

   Foi lendo o trecho acima que percebi o porquê da experiência da época da faculdade ter ficado tão marcada e porque a musicoterapia pode ser tão benéfica.

 

Curiosidades: os efeitos do som

        Seja o som de palavras ou da música, todo o som possui uma energia própria que pode nos afectar de diversas maneiras, o som de palavras com sentimentos positivos, como amor, paz, felicidade, por exemplo nos afectam também de modo positivo, assim como o som de músicas relaxantes nos trazem bons sentimentos.

        O Dr. Massaru Emoto, cientista Japonês, realizou um experimento com moléculas de água e os diversos efeitos que um som exerce nessas moléculas. Vale lembrar que o nosso corpo é constituído em grande parte por água (75%), então podemos notar a influência que um som pode exercer em nossa saúde.

   

 

Bibliografia e fontes:

- Musicoterapia no atendimento infantil: aspectos de uma prática (Simone presotti)

- por que estudar música é um excelente exercício para a mente - Elisandra Vilella G. Sé

-Instituto Seva - artigo “Sons Harmónicos” de Virginia Bernardes, Musicista e terapeuta.

- Musicoterapia para corpo e mente sã – site: bem tratar.

- Musicoterapia como abordagem para o portador de Alzeimer- Rosemyriam Cunha

- Efeito terapêutico da música em crianças após cirurgia cardíaca- Thamine P. Hatem , Pedro I. C. Lira, Sandra S. Mattos.

_ Musicalidade clínica em musicoterapia – Clara Piazzeta e Leomara Craveiro.

-A canção como veículo de expressão em musicoterapia - Jusleida Carolina Baldin

Terapia Quantica, http://cantinhodasaude.webnode.pt/, www.vitalsil.pt,, www.natiris.pt, www.sovex.pt,

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